Entrevista #1 Historiador Jeremy C. Young

Billy Sunday in 1908
Billy Sunday. Source: https://www.shgape.org/experiencing-billy-sunday/

Dr. Jeremy C. Young é um Professor da Dixie State University. Ele é diretor do Instituto de Política da Dixie State Universuty e autor de The Age of Charisma: Leaders, Followers, and Emotions in American Society, 1870-1940.

The History Freebooter: Como você chegou até o seu tema de pesquisa? O que chamou sua atenção nesse período da história americana?

Jeremy C. Young: Como alguém interessado na política americana contemporânea, eu sempre me senti atraído pela Gilded Age e a Era Progressiva como um tempo em que políticos adotavam tipos de apelos emocionais inspiradores que pareciam ausesntes da era Clinton nos anos de 1990. Eu queria entender porque os Americanos de 100 anos atrás acharam inspiração em figuras políticas como William Jennings Bryan, Theodore Roosevelt e Woodrow Wilson. Eventualmente, eu descobri através da minha pesquisa que haviam um número de fatores em curso nesse período. Um novo estilo de oratória pública, desenvolvido a partir de um grupo de textos de elocução americanos, que ensinavam políticos a falar em modos que tocavam as emoções dos seus ouvintes. As linhas de trem transcontinentais permitiam que líderes, pela primeira vez, a interagir em pessoa com seus seguidores através do país. Um sistema de gerentes e organizadores profissionais de palestras conectava audiência e palestrantes e preparava os ouvintes com performances musicais preliminares. Talvez, mais importante, novas ideias sobre o papel da emoção no discurso público criou uma perspectiva positiva para os líderes que fizeram a si mesmos emocionalmente disponíveis para os seus seguidores.

The History Freebooter: Você fala sobre “novas ideias sobre o papel da emoção no discurso público”, qual era esse novo papel comparado com os tempos anteriores e o que mudou com o tempo posterior?

Jeremy C. Young: Antes dos anos de 1870, se esperava que líderes religiosos, sociais e políticos americanos fossem emocionalmente distantes do americano comum. Políticos que apelassem para emoções populares eram marcados como demogagos perigosos que manipulavam eleitores e permitiam que a opinião pública influenciasse seus jugalmentos imparciais. Durante o final do século XIX e início do século XX, entretanto, a agitação do capitalismo industrial levou os americanos a procurar conexões emocionais com seus líderes. Recém conscientes do potencial dessas conexões para mobilizar a força das massas por detrás de suas plataformas, políticos, ministros e intelectuais através do espectro político vieram a abraçar a ideia da relação emocional entre líder e seguidor. Enquanto ceticismo sobre a liderança emocional eventualmente reassertava a si mesma até certo ponto, a ideia de que os eleitores estão imbuídos de uma conexão emocional com seus líderes se tornou um princípio fundamental da democracia americana. Hoje em dia, se espera que líderes apertem mãos, beijem bebês, deêm discursos e se façam acessíveis aos seus eleitores. Um líder que recusa a fazer tais coisas perderia popularidade e seria visto como elitista.

The History Freebooter: Para conduzir essa pesquisa quais foram suas principais fontes e você usou alguma metodologia específica que você acha que foi importante no seu trabalho de análise das fontes?

Jeremy C. Young: Eu usei uma grande variedade de fontes para minha pesquisa – só a bibliografia possui 40 páginas! Provavelmente, as fontes mais importantes que eu usei foram testemunhos escritos pelos seguidores de líderes carismáticos. Eu achei um grande número dessas fontes sobre o evangelista Billy Sunday, o candidato Democrata William Jennings Bryan, o candidato socialista a presidência Eugene V. Debs. Outras apareceram em coleção publicadas e não publicadas, jornais, dissertações e até em pesquisas sociológicas. Meu objetivo era tentar entender como era ouvir essas figuras carismáticas falarem e como era ser tocado e mudado por tal interação. Portanto, eu procurei por similaridades entre as palavras. Eu encontrei que seguidores carismáticos descreviam seus líderes com uma linguagem sacralizada, quase religiosa. Eles colocavam uma grande importância na música usada para preparar a audiência para a mensagem do discursante e na experiência de apertar mãos com o líder depois do discurso. Eles indetificavam características específicas nos discursos que eram comuns entre os diversos líderes carismáticos da época. E eles descreviam a si mesmos como radicalmente transformados pela experiência de interação com os líderes – formando uma relação carismática que podia durar a vida toda.

The History Freebooter: Você fala em seu livro sobre ‘magnetismo pessoal’ e o livro do Dr. James Rush, você poderia noa dar uma breve introdução a esse tema e ao papel do Dr. James Rush?

Jeremy C. Young: No final dos anos de 1880, pessoas que os americanos hoje descreveriam como carismáticos, eram ditas que possuíam um “magnetismo pessoal”. O termo se originou com Franz Anton Mesmer, mas sua teoria de magnetismo fluído da personalidade decaiu nos anos de 1880, apesar de haver referências ocasionais a pessoas “magnetizando” plantas, peixes, relógios ou jogos de baseball. Ao contrário, as pessoas usaram o termo para descrever um estilo particular de discurso que se originou com James Rush. Rush era um médico e filho de um dos signatários da declaração de independência, Benjamin Rush, e era um personagem bastante excêntrico. James Rush acreditava que ele poderia democratizar o discurso público ao desenvolver um grupo de princípios vocais universais que conetavam sons específicos com emoções correspondentes – ignorando, é claro, que os gostos em discursos públicos são histórico e culturalmente específicos. Ele advogava um estilo de fala com três características distintas: uma alcance de tom expandido, com tom altos e tom baixos; uma qualidade de cantar que ele chamou de “melodia do discursos”; e uma coisa que ele chamou de “a voz grandíloqua”, que consistia em abaixar a laringe enquanto se falava da mesma maneira que um cantor de ópera faz enquanto canta, criando um rico e poderoso tom. O livro de Rush The Philosophy of Human Voise (1827) (A Filosofia da Voz Humana) foi adaptado pelo seu amigo Jonathan Barber numa série de textos sobre elocução que emparelhavam os princípios vocais de Rush com um sistema de gestos emprestado da Inglaterra. O estilo de elocução resultante se tornou o mais comum e ensinado estilo de fala em universidades pelo país. Diversas figuras como o abolicionista Wendell Phillips, o ministro Henry Ward Beecher, o político William Jennings Bryan e o eevangelista Billy Sunday, todos aprenderam o estilo e fizeram-no o principal elemento de suas performances públicas. Enquanto o estilo de Rush não era a técnica universal que ele acreditava, se tornou bastante popular com as audiências americanas ao final do século XIX e ajudou ao crescimento dos movimentos religiosos, políticos e de massa na Gilded Age e Era Progressiva americana.

Quer saber mais sobre o trabalho do Professor Dr. Jeremy C. Young?

Aqui está o seu website: jeremycyoung.com

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